sexta-feira, 25 de maio de 2018

A Síria Nossa de Cada Dia


Autor
Gringuinho, 25 de maio de 2018, Vitória-ES.
Argumento
“Fale a verdade, mesmo que ela esteja contra ti”, Maomé.
Para o Tablado Queimado, evento cultural do Centro Cultural Eliziário Rangel, sob a coordenação do amigo Antonio Victor, militante da sena cultural capixaba que tanto anseia de agentes dessa causa, nessa luta.
Praxe
Essas perspectivas da guerra nos leva ao pensamento do quão distante será que estamos dessas senas de conflito acentuado no Oriente Médio. Ao amigo Antonio Victor agradeço o impulso do automovimento que nos movimenta juntos junto ao debate. O que há da Síria em nós? Ousar responder tal pergunta perpassa pelo caminho do entendimento da narrativa recente daquele país que se encontra em região histórica de conflito. A Constantinopla vive em nós pelos contos machadianos e, sendo hoje Turquia, se faz linha no norte sírio. Contemple a oeste o imponente Mar Mediterrâneo e a sudoeste a costa libanesa e Israel, se não sei ser a terra de Davi ou de nosso Senhor Jesus Cristo, deve ser terra do tio Sam. Ao leste eis o Iraque, palco da guerra mais sangrenta e mais sem justificativa da andada tropeçante e moderna da humanidade. Ao sul está a Jordânia. O que há da Jordânia em nós? O que há do Oriente Médio em nós? O que há da guerra em nós. O que há de paz em nós?
Há ali, na Síria, muito para se crer. A cada dia do ano nos cabe uma religião diferente. Mas a maioria é sunita e clamam, desde o pó da terra, os dizeres de Maomé, o último profeta verdadeiro da face da Terra para os mulçumanos. De Meca, sob seu Califado vasto, Maomé recitava o Alcorão. Há quem diga que ficava ali dias a fio, sem parar. E se Maomé não clamasse, ou nem mesmo Abraão de seu túmulo, as pedras clamariam!
Há ali muitos dialetos, idiomas e culturas.  É o lar de diversos grupos étnicos e religiosos, inclusive árabes, gregos, armênios, curdos, assírios, circassianos e turcos. Entre tantos idiomas, há de se falar a mesma língua das ideias?
Primavera Árabe
Em 2011 nos deparamos com a identidade que tais marcos determinam; “A Primavera Árabe”. Embora primavera nos soe como palavra doce e perfumada, aqui sua conotação é de luta e horror. Uma série de manifestações populares no Oriente Médio e norte da África desencadearam essa revolução em série potencializada pelas mídias sociais. A repressão exercida pelos exércitos contra esses protestos foram avassaladores. Na Síria foram os desertores do exército que iniciaram a luta armada contra seus lideres políticos que já não eram mais vistos como Presidentes e Primeiros-Ministros, mas sim como implacáveis ditadores. Bashar AL-Assad governa o país há 18 anos e é sucessor do próprio pai que, por sua vez, governou por 30 anos. Os rebeldes formaram uma Coalizão Nacional criando um estado próprio, sendo reconhecido como governo legítimo pelos USA que ajudam a financiar a causa em troca de petróleo e direito de reconstruir a infraestrutura causada pelo o caos das batalhas e das bombas. Se não fosse a Rússia, Trump já estaria com os canteiros de obra ativos em território sírio.
Com a guerra civil estancada, Rebeldes versus Bashar AL-Assad , Trump versus Putin, o pior ainda estava por vir. O Estado islâmico se apropria do caos e entra na guerra reivindicando territórios e atiram indiscriminadamente contra rebeldes ou contra o exercito de Assad, contra os russos ou contra quem quer que seja.
Em mais de 7 anos de guerra civil, meio milhão de pessoas morreram, metade delas são civís. 150 mil pessoas estão presas pelo governo de Assad e morrem de fome nos calaboussos da prisão do ditador sírio, pois não havendo pão para alimentar o próprio exercito, por que há de alimentar os cães? 5 milhões estão refugiados em outros países, inclusive aqui no Brasil. A guerra, como ensinou Aquiles, é o velho falando e o jovem morrendo. As montanhas grandiosas, os desertos, os campos ferteis, simplesmente, ficarão sem sentido, pois não será identidade de cousa alguma. Essa batalha sem fim se arrasta rumo a fragmentação e entrará na escuridão profunda e a Síria deixará de ser Estado único. Atualmente caças americanos bombardeiam pontos petroliferos do território dominado pelo exercito de Assad, como a criança que quebra o brinquedo depois que sabe que ele não será mais seu.
O que há da Síria em nós?
Então, o que temos de comum com a Síria? O que há da Síria em nós, brasileiros? Somos, do mesmo modo, crentes fundamentalistas. E se vivemos sob um Estado laico, não o reconhecemos como tal e nosso Senado tal como a Camara dos Dep. Federais se desdobram em bancadas que legislam sob o prisma das Escrituras Sagradas da Bíblia. Do Velho Testamento trazem o “olho por olho, dente por dente” e do Novo Testamento trazem o termo Maranata; “Roubem tudo antes que Cristo volte, pois o Senhor virá”. E, como disse Eduardo Cunha, ex-presidente da Camara dos Deputados Federais, “Deus salve essa nação”. De dentro da prisão deve ter se convertido e agora seu discurso na oração, que sempre deve ser secreta, ele deve dizer: “Deus salve minha alma”. Sob os preceitos desses sujeitos da bancada da bíblia está camuflado o discurso do ódio e da intolerancia contra o grupo LGBTT’s, pois não se pára de matar gays, travestis e trangeneros nesse país. Contra os negros, pois há a cultura do exterminio contra esse povo, em especial os jovens. Fazem referencia da cor da pele do sujeito com a marca dada por Deus a Caim, após cometer o primeiro homicidio da terra, contra seu próprio irmão Abel. Ou seja, Caim matou Abel, Deus fez dele um negro e agora vamos sair matando os negros por aí... Intolerancia contra as mulheres. Qual o Estado brasileiro que mais mata mulheres? O ES lidera esse ranking. O machismo não aceita a liberdade reivindicada pelas mulheres em relação ao seu próprio corpo. Elas querem tomar a decisão do que fazer com o proprio corpo. Não aceitam mais que decidam por elas. Não aceitam mais o papel que lhe é imposto por Paulo de Tarso, aquele que no meio do caminho para Damasco encontrou com Nosso Senhor, escritor de falas morais do Novo Testamento, ditando a tradição no lar das familias cristãs desde então. E se posionar de forma firme contra esse papel tem causado martirios sem fim dessas vitimas do feminicidio. Matam a Cristo dia após dia. Pois quando fazem contra a um desses, é contra Cristo que se está fazendo.
Nós, brasileiros, também conhecemos a guerra. A nossa policia tem o dedo nervoso. Gosta muito de matar. Mata só pra ver a queda. A policia entra nas favelas e mata. Morre tambem. Mata, morre... A policia está no jogo. Não pode ficar fora dessa! É o algós executor da pena de morte no Brasil.
Há, do mesmo modo, guerra entre as facções. Guerra por território. Recentemente tivemos o episódio da retomada do “Comando Vermelho” na comunidade da Rocinha e do Vidigal. Expulsaram a balas membros do “Amigos dos Amigos (ADA)” e agora vendem Crakc pras crianças da comunidade. Nem se importaram com a Unidade de Policia Pacificadora. Entraram, dominaram, mataram e reinam sobre nós.
Essas facções exercem imensa influencia dentro das prisões e ditam as regras de lá. Em motins ou rebeliões, se decaptam e jogam futebol com cabeças sangrando, lingua de fora e olhos ebugalados. Gol!
Não nos esqueçamos das Milicias. Esse fenômeno novo é formado por ex-policiais e dominam territórios com proibições de tráfico ou uso de drogas, fornecem internet e TV a cabo por um preço camarada, cobram taxas dos comerciantes da comunidade e gostam de matar vereadoras negras e lesbicas. Marielle, presente!
Conclusão da Guerra
Ao vencedor as batatas”, Machado de Assis.
Na guerra os que venceram são os que sobreviveram. Mesmo se perderam o direito de viver no solo da própria pátria. Mesmo se perderam a identidade pessoal. Mesmo os que aniquilam o próprio sotaque para passarem despercebidos quando o soldado inglês passa perto. Mesmo se foram separados de entes queridos. O pai venceu, mesmo que tenha visto sua criança morrer diante dos olhos no próprio quintal de casa. O neto venceu, mesmo sem saber que aquele seria seu último abraço na avó. A mãe venceu, mesmo tendo de escolher duas entre as três filhas para colocar no barco que atravessaria o Mar Mediterrâneo rumo à Grécia, à Itália, à Espanha, ao mundo e ao refúgio. A conclusão da Guerra é que ela não se conclui nunca. Seus desdobramentos são eternos e atravessarão gerações. Desses refugiados nascerá um, enviado dos céus, reunirá seu povo e marchará, por cima da Europa, pelos portões de Constantinopla, rompendo as fronteiras do sul, e ao pisar no deserto gelado, ao pé de montanhas grandeosas, clamará, com vóz de trovão: “meu povo tem casa”. E juntarão os cacos e formarão o Estado Novo da Síria. As batatas ficarão com os russos partilhado com os americanos. Os pais da guerra serão todos enforcados, em meio aos escombros. Rebeldes e aamigos de Assad serão envergonhados e ficarão nus e pequenos e não serão ouvidos, muito menos respeitados. Não serão considerados heróeis de coisa alguma. Os que não forem enforcados, viverão invisíveis, páreas no próprio chão.

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